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News| Estratégias de edição e divulgação de livros

19 junho 2013 Comentar
Coluna Ler no Diário do Nordeste.  


Um dos grandes efeitos dessa entrada do mercado livreiro na Internet é a possibilidade de todos poderem divulgar os seus trabalhos, não sendo mais necessário o apoio de grandes editoras para a publicação das obras. Autores passaram a divulgar seus livros de forma independente na web, passaram a vender suas obras de forma direta. A relação agora é feita entre o autor-leitor, mesmo quando tais obras são editadas por grandes editoras. Um exemplo disso é a série Fazendo meu filme, da escritora e publicitária Paula Pimenta. Em 2008, para tentar publicar sua obra, a autora buscou várias grandes editoras que julgaram seu livro como não comercial, ou queriam que a autora pagasse pela impressão da obra, até que a Editora Gutenberg aceitou editar seu livro, porém não se comprometeu em divulgar a obra.

Um exemplo

De maneira independente a autora entrou em contato com alguns blogs e sites que possuíam o mesmo público do seu livro, e enviou um exemplar para que cada blogueiro lesse e publicasse uma resenha sobre o livro. Quando tais publicações começaram a sair falando do livro de forma positiva, os leitores dos blogs e sites ficaram bastante curiosos sobre essa nova autora brasileira que tinha agradado os blogueiros; logo começaram a procurar o livro nas livrarias para adquiri-lo.

Diferente de outros livros do estilo Chick-lit25, o livro não tinha como foco central a vida amorosa da protagonista e sim os preparativos que uma garota de Belo Horizonte estava fazendo para poder fazer seu intercâmbio. O que chamou a atenção também foi que no início de cada capítulo era citado o trecho de um filme. A autora criou um site26 para que o leitor pudesse assistir cada trecho citado e também pudesse encontrar todas as músicas citadas no decorrer da obra.

Percebendo o grande sucesso que o livro estava fazendo, a Editora Gutenberg passou a cuidar da comunicação dele, reformulou a capa do livro (figura 1), saindo de uma capa simples, sem muitos detalhes, para uma colorida e chamativa (figura 2), com vários elementos que fazem parte da história, fez ações especiais para divulgar o livro, levou a autora a diversos eventos em várias cidades, transformou, desse modo, o livro em um verdadeiro fenômeno.

O reverso

A editora assinou contrato com a autora para transformar o livro em uma série de 4 livros, série que já vendeu mais de 150.000 exemplares até outubro de 2012. Fechou contrato com a autora para mais outras 2 séries de 4 livros cada, mais um livro de contos intitulado Apaixonada por palavras, e a participação especial em diversos livros. A autora foi convidada a participar de um livro com uma reformulação de contos de fadas que a Editora Record vai lançar no final de 2012, uma das convidadas, além da Paula, é a autora mundialmente famosa Meg Cabot. Hoje, a Paula Pimenta analisa propostas para transformar a série Fazendo meu filme em filme, depois de um abaixo-assinado que os fãs fizeram na Internet.

O livro Apaixonada por Palavras já é adotado em colégios, para os alunos da 7ª série, chegou à segunda edição em menos de 20 dias depois do lançamento. ONG´s em defesa dos animais sempre buscam a autora para ajudar nas campanhas, visto que ela defende a causa. Sem contar que a autora tem uma coluna no jornal, há esmaltes em homenagem a protagonista de Fazendo meu filme, e muitas propostas das editoras que recusaram seu trabalho inicialmente. Mesmo com esse sucesso todo e muitos compromissos, a autora continua sendo atenciosa com os fãs, respondendo pessoalmente a todas as mensagens que chegam até ela, seja por e-mail ou redes sociais, atendendo e conversando com cada leitor que participa de seus lançamentos, divulgando todas as manifestações dos leitores na Internet sobre seus livros, tanto no site como nos perfis das inúmeras redes sociais.

Boa parte desse sucesso foi devido à proximidade da autora com o leitor, o fato de ela estar sempre interagindo com seu público, fazendo com que ele se sinta parte fundamental no desenvolvimento dos seus livros, e o descobridor do talento da Paula. O leitor não é só mais um consumidor, ele é único e com experiências personalizadas. Agora o autor faz parte do ciclo de amizades do leitor, saindo do pedestal da intelectualidade e se posicionando lado a lado com o seu público. Não podemos deixar de dizer que boa parte do sucesso da Paula também foi por ser uma boa escritora e por ser publicitária.

Outro mercado

Não são poucos os exemplos de autores que usaram a Internet para divulgar seus primeiros livros, só o fato de se denominarem escritores mesmo antes do lançamento de seus primeiros livros já atrai os olhares do público, pois o público relaciona a questão de ter uma editora com o livro ser de boa qualidade. O que não é bem verdade; hoje está tendo um "boom" de novas editoras, empresas que recorrem à facilidade de anunciar via Internet para promover os trabalhos ali editados, e não são editoras artesanais e de fundo de quintal, são empresas que produzem um livro com alta qualidade, bem-acabado e com alto poder de guerrilha, que podem competir de igual com editoras dos best-sellers, porém com preços acessíveis e em parceria com autores e também livrarias.

Expedientes

Apesar de as grandes editoras ainda dominarem o mercado, são as pequenas editoras e selos independentes que o estão revolucionando, apostando em autores independentes e trabalhos inovadores, saindo do eixo Rio - São Paulo e valorizando a cultura do país todo. Cada editora tem seu estilo, dando ao leitor um leque gigantesco de opções para agradar qualquer tipo de leitor:

Por isso não é raro ver editores e escritores lançando seus selos editoriais para publicarem seus próprios livros, ou de eventuais amigos e parentes, fazendo assim uma rede de contatos e interessados no mesmo negócio. Exemplo disso é o escritor Ricardo Corona que lançou o selo Medusa nos anos 90. O que é difícil dizer é se tais autores serão de fato bons escritores, ou são só pessoas realizando um sonho, mas não podemos deixar de salientar que é muito positiva a renovação da literatura brasileira, para o relançamento de autores esquecidos, e o lançamento de novos autores, ações que as grandes editoras estão evitando fazer.

Considerações finais

Um exemplo disso é o escritor Maurício Gomyde, que, por falta de uma editora para custear seu livro, criou a Editora Porto71, o que o autor chama de "eu ditora", pois ele é o único funcionário e investidor nas publicações. Em outubro de 2012, o autor publicou o livro O rosto que precede o sonho, sua divulgação foi feita em parceria com mais de 600 blogs literários. Primeiro, o autor criou uma promoção para os leitores votarem qual deveria ser a capa do novo livro. Os participantes iriam concorrer a 30 kits com os 2 livros publicados do autor e o novo. Quase todos os blogs parceiros ajudaram na divulgação, o que resultou em mais de 4.64333 votos para a escolha da capa.

Outra ação que o autor fez para a divulgação desse mesmo livro foi a criação de um vídeo chamado book trailer34, que é uma seleção de alguns trechos do livro, que são apresentados com imagens e um narrador. Essa ação de criar book trailer já está sendo muito utilizada para a divulgação dos livros, principalmente pra chamar a atenção daquele leitor que tem preguiça de ler sinopses e resenhas.

O tal book trailer virou uma promoção, então cada pessoa que assistisse ao vídeo estava concorrendo a 30 exemplares do livro O rosto que precede o sonho. A maioria dos blogs parceiros ajudaram na divulgação resultando em 4.300 participações, e como as parcerias devem ser vantajosas para ambas as partes, o autor sorteou um Ipod Nano entre os blogueiros que ajudaram na divulgação.


SAIBA MAIS
EL FAR, Alessandra. O livro e a leitura no Brasil. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2006
FEBVRE, Lucien; MARTINS, Henri-jean. O Aparecimento do livro. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000
FIORE, Frank. E-Marketing estrategico: Como e por que impulsionar as vendas pelo e-commerce. Venda qualquer coisa, em qualquer lugar, de qualquer maneira, a qualquer hora e a qualquer preço. São Paulo: Makron Books, 2001.
LÉVY, Pierre. O que é o virtual? São Paulo: Editora 34, 2009.
MARTINS, Wilson. A palavra escrita: História do livro, da imprensa e da biblioteca. 2. ed. São Paulo: Editora Ática, 1996.

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