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16 maio 2017 1 Comentário

Credito: imagem retirada de HypeFeeds.

Te substantivei para que não fosse adjetivo. 
Que fosse comum e pudesse te encontrar semelhante noutros espaços. 

Mas tu é, e sempre será, Verbo.
Que é carne e habita entre as entranhas do nosso ser. 

O teu lembrar é de um choro miúdo.
Hora calado. Noutra alarmado.
Eu passo entre sombras de outros que também são tu. 

Lembro dá pedra. Dá sombra. Do medo de nunca ver além. Aí choro de saudade. 

Se tu é o Verbo, porque tua carne não me satisfez a ficar lá?
O teu verbo de carnes só as que já viraram pó. 

Eis aqui tua verdade: o teu verbo é só palavra.
Que tanto santos dizem como o diabo respira. 

Teu verbo que era carne, que se fez substantivo, recusado a adjetivo que jaz fim. 



Leonardo Souza
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RESENHA| MUNDOS ROUBADOS - LLOYD JONES (ROCCO)

11 janeiro 2017 Comentar
Até onde somos capazes de chegar por um amor verdadeiro?

Um bom livro é aquele que te coloca na narrativa sentindo tudo o que os personagens passam. É o que faz você pensar que viveu tudo, realmente. Ou é capaz de te prender tanto, que você pode jurar que tudo o que está escrito aconteceu nos mínimos detalhes. Eu consegui viver tudo isso lendo cada palavra e capítulo de Mundos Roubados.

O autor começa nos apresentando uma personagem que, aparentemente, não é lá muito voltada a lutar pelo o que quer na vida. Durante vários momentos, é até perceptível uma certa conformidade da personagem com sua situação atual, não sendo capaz de mostrar nenhum esboço de que poderia querer ou fazer algo diferente do que já tem ou faz. O que, mais adiante, vai dar um toque especial a narrativa. Você nunca imaginaria o que uma pessoa, até então conformada com sua situação, poderia ser capaz de fazer para conseguir ter em suas mãos seu amor.

Conhecemos, Inês, a protagonista dessa história cheia de reviravoltas e acontecimentos que a tiram, de uma hora para outra, de sua zona de conforto. E tudo porque confiou em um amor que não passou de uma simples noite para esquecer problemas. Mas, o que você faria se seu verdadeiro amor fosse tirado de você e levado para um lugar onde nunca pisou e, nem fala o idioma? É aí que vemos o que o desespero pode nos obrigar a fazer.

Descrita por várias personagens durante a história, Inês, vira várias e ao mesmo tempo, ninguém. Somos colocados diante da opinião de todos que a viram durante seu percurso até seu ponto final. A forma como o autor transforma sua personagem de acordo com o olhar dos demais, é maravilhosa. Parece existir várias personalidades que se colocam a frente das outras para cada situação. Nos mostrando que também somos capazes de mudarmos de acordo com a situação que está a nossa frente. E até fazer coisas que julgamos impensáveis.

Durante a leitura me coloquei várias vezes no lugar da personagem principal. Me imaginei fazendo o que ela fez para conseguir chegar onde queria. E, por várias vezes, desisti no meio do caminho. Não é fácil tomar decisões que podem fazer você ser diferente para sempre. E esse poder de gerar um pensamento crítico, sem precisar passar por todas as situações que a personagem teve que passar é o que faz de Mundo Roubados um livro para ser, com toda certeza, lido e discutido. Ele é capaz de fomentar assuntos corriqueiros na sociedade, mas, mesmo assim, pouco comentados.

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RESENHA| JUST IT/CARMÉNÈRE/XILEMA - DAN PORTO

10 janeiro 2017 Comentar
Poesia não é para ser simplesmente lida, mas sentida, sempre.


Não é novidade alguma que fazer poesia requer certas características para que um texto possa ser considerado poético. É necessário o verso, a estrofe, a métrica, o ritmo e, as vezes, a rima. Contendo alguns ou todos estes atributos, um texto pode, enfim, ser chamado de poesia. O gênero e suas características nos são ensinados ainda na escola, mas esquecem de dizer que poesia não é só isso. Poesia tem que ter sentimento, vontade e criar mais disso tudo, assim que é lida e se fecha novamente para seu malucado local de descanso. O pior de tudo, não nos ensinam a ler verdadeiramente uma poesia. E, achamos que devemos ler um poema da mesma maneira que lemos uma narrativa. Mortífero engano. Você só lerá verdadeiramente uma poesia quando ela tiver lido você. Quando o texto não for mais papel e tinta, mas carne e sangue.

Quando leio um poema levo um tempo bem maior fazendo com que o texto deixe de ser texto e passe a fazer parte de mim. Para ter certeza de que o li realmente. É diferente de quando leio uma narrativa. Não que essa tenha menor valor, mas tem seu jeito próprio de ser apreciada. Quando me lanço nesse desafio, espero que após o termino saio mudado. Tenha deixado pedaços para trás e tenha em mim novos. Se um poema não fizer isso, não vale a pena. E foi assim que me senti após ter terminado de ler Just It, Carménère e Xilema do Dan Porto. E tive de ter um bom tempo de reflexão para deixar o corpo se acostumar com as feridas e os novos pedaços. E, só assim, colocar o poema para fora.

 O Dan começa apresentar sua poesia de uma forma frenética e sem tempo para desculpas. O primeiro livro desta trilogia poética e como o nascer: é ouvir as batidas do coração aceleradas, e o esforço para acompanhar tudo de novo que está acontecendo e, por fim, ver a luz e chorar. Just It trás esse ritmo mais acelerado e de descoberta. Por vezes você se sentirá correndo e sem ar. Mas é o que torna a obra mais emocionante. Juntamente com os poemas você encontra desenhos inéditos os enriquecem e acabam estimulando ainda mais a poesia em você.

O segundo livro é como o momento depois do nascimento: é vislumbrar o mundo pela primeira vez. E sentir a dor nos olhos ao abri-los e ver a luz. Diferente do primeiro que traz a euforia e a celeridade das coisas, Carménère, te faz respirar e apreciar com cautela todas as novas descobertas. É se dar conta de que poesia pode ser andar a tarde por um novo lugar ou observar a vida da janela. O livro nos conecta mais com os desejos e os prazeres da vida, fazendo lembrar que qualquer momento é importante perante o todo.

O terceiro e último livro é como o morrer da carne: é a hora que tudo se conclui e começa novamente. É lembrar com certo distanciamento para que a obra seja e carregue o todo em si. Xilema, como o próprio autor descreve "é o líquido das memórias, a essência grossa e viscosa dos pensamento." Ele conclui com êxito essa analogia da vida que usei para conseguir explicar a trilogia poética. Com ele o autor conseguiu fechar o ciclo sem feriadas e pedaços que não foram sentidos até aqui.

Sinta a poesia
Quando estiver lendo a trilogia não queira decifrar ou achar significado nas poesias. Elas irão dizer para você para você o que acharem que tem que ouvir. Poesia é assim. Você não a doma nem faz dela uma narrativa com seu começo, grande acontecimento e desfecho. Elas podem, e trazem, tudo isso em uma única palavra. Se tentar achar seu significado sem senti-las elas farão com que se perca até que se redima e possa novamente apreciá-las.


CONHEÇA O AUTOR

Dan Porto é escritor. Nesta vida nasceu ruivo, a 03 de setembro de 1983, em Candelária - RS. Depois o cabelo ficou cinza, mas em compensação a barba se mantém fiel às origens. É Especialista em Tirar meias sem usar as mãos e Mestre em Análise Crítica de Quase Tudo. Ministra os cursos OFF BOX - Vida Criativa, Transtexto - Criatividade, Liberdade e Expressão Poética e O Trabalho de Rememorar

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CRÔNICA| FESTA DE CASAMENTO DEIXA MAIS DE VINTE MORTOS

02 janeiro 2017 Comentar
Festa de casamento deixa mais de vinte mortos
ou
O himeneu da morte


As duas pessoas posam, lindas, para as fotos. Antigamente havia os proclames, depois se ia ao cartório e à igreja, tinha a recepção para as famílias e os amigos. Hoje em dia se posta foto no Instagram. Tem casal chegando até de bicicleta para a cerimônia. Tudo transcorre lindo e maravilhoso, porque não se posta foto das falhas e dos tropeços, jamais de la vie. Pero (cronista poliglota é chato!), este que vos escreve se interessa pelos que ficaram de fora.

Como? Alguém não foi convidado?

Sim, os amores secretos ou nem tão secretos assim de cada lado dos nubentes. Ou você acha que casamento acaba com o amor do passado? O casamento é um crime. Um crime contra os homens e as mulheres que nutrem paixão, amor, desejo ou esperança pelos noivos. Este autointitulado cronista foi pesquisar e encontrou dois exemplares desta espécie: humanos mortos pelo casamento. Pelo casamento de outrem, evidentemente. Um homem de mais de trinta anos e uma mulher que não revelou a idade. Por motivos óbvios, ambos não desejam ser identificados e serão chamados, respectivamente, de Y. e Vontade.

Vontade, coitada, descobriu na internet que a moça por quem é apaixonada se casaria quando tudo já estava armado. Havia sítio reservado, arranjo de bolo com os bonequinhos representando os noivos, vestido e tudo o mais. Tudo o mais para se casar com um homem. Ela não era lésbica? Eu não sei se ainda se diz lésbica.

Ah, foda-se! Eu tô numa pior. Quero que ela se dane, aquela vadia!

Constrangido, tentei mais algumas perguntas, mas a moça estava de dar dó. Despenteada, a garrafa de cerveja barata nos braços, troncha, sentada na soleira da porta do bar, que agora é botequim, de modo que seria impossível finalizar a entrevista ou arranjar consistência capaz de reter o leitor.

Fui, então, rumo ao interior, visitar a fazenda em busca do rapaz que havia abandonado a carreira de advogado na cidade e se enfiado nos confins de Rio Pardo para sofrer, sozinho, a dor do casamento. Do casamento da ex. Pobre! Era um rapaz muito bem-apessoado, rico, como se via, gentil, de fala bonita. Diz que a cuja nunca lhe deu bola (nem nada, parece!). Foram dois ou três anos tentando sem sucesso. No máximo uma conversa e um abraço.

E de que me vale abraço se o meu coração acelera toda a vez que vejo uma foto dela?!

Que pena do moço! De verdade, uma lástima. A moça conheceu um tal de Adão, se foi para Santa Maria e o Y. sobrou. Aliás, ele nunca foi contado. Chegado o dia do casamento da dita cuja, lá foi o Y. se despedir em estilo nupcial. Quem via achava que gostava das bodas. Chorou de antes da chegada da noiva na igreja até dois ou três dias depois. Está lá agora, figurativamente morto, em estado vegetativo e ainda apaixonado. Sonha sempre com ela, mas há outro no meio e isso lhe inflama.

Devo morrer de ódio.

Não faça isso. Se acalme.

Falsidade minha. Ver casar um amor é a morte mais cruel que pode sentir quem ficou de fora. Para consolá-lo tentei apresentar uma amiga, mas quem disse que serve?

Solteiras e solteiros, atenção! Antes de casar façam uma lista das possíveis mortes que poderão causar com suas núpcias. Avisem as pessoas, se certifiquem de que ficou tudo esclarecido entre vocês e, por fim, assumam o crime praticado.

Beijos nesses corações.

PERFIL DO AUTOR

Dan Porto é escritor. Nesta vida nasceu ruivo, a 03 de setembro de 1983, em Candelária - RS. Depois o cabelo ficou cinza, mas em compensação a barba se mantém fiel às origens. É Especialista em Tirar meias sem usar as mãos e Mestre em Análise Crítica de Quase Tudo. Ministra os cursos OFF BOX - Vida Criativa, Transtexto - Criatividade, Liberdade e Expressão Poética e O Trabalho de Rememorar

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CRÔNICA| JÁ PODE COMER O PAPAI NOEL? - DAN PORTO

24 dezembro 2016 Comentar
Os papais noéis já chegaram em Saint Cross. De rapel, estrela, balão ou trenó, invadiram as portas e janelas das casas e, obviamente, das vitrinas. A propósito, estas estão cada vez piores, mais feias e entulhadas de roupas sem corte, um monte de lixo transformado em decoração. Como diria o saudoso Téo Pereira, curuzes!


Entretanto, a melhor notícia que o papai noel traz em seu saco vermelho com pelinhos brancos, é que se aproxima o final do ano e com ele as vizinhas vão embora e só voltam em março. Ai que delícia! São universitárias as energúmenas-barulhentas. Devem ser analfabetas funcionais também, porque outro dia a futura "dotôra-adevogada" passou a manhã fazendo um trabalho por telefone e perguntava para a amiga o que escrever na resposta à pergunta o que é globalização. Depois decidiu que faria um resumo do resumo da colega. Salve-se quem puder!

E os eventos de fim de ano? Que celeuma! Eu já me livrei de todos, nenhum amigo-oculto, nenhuma festinha de firma, porque a firma sou eu, nenhum jantar de confraternização onde ninguém confraterniza. O último compromisso é o lançamento da antologia do Coletivo Poesia! Santa Cruz, dia três.

Aproveitando um momento lowsumerism, distribuí apenas um mimo para as pessoas que mais me ajudaram durante o ano, adeus e obrigado. Repensem a necessidade da infinidade de quinquilharias que nos forçam a comprar nessa época. Atentem para a insanidade que é aquele exagero de comidas quentes no verão brasileiro. A menos que façam nevar em Copacabana, o que não vai acontecer porque não há dinheiro para tal exagero, comam um abacaxi, uma manga, um mix de frutas com banana.

PixaBay - Public domain
Beijos nesses corações.

PERFIL DO AUTOR

Dan Porto é escritor. Nesta vida nasceu ruivo, a 03 de setembro de 1983, em Candelária - RS. Depois o cabelo ficou cinza, mas em compensação a barba se mantém fiel às origens. É Especialista em Tirar meias sem usar as mãos e Mestre em Análise Crítica de Quase Tudo. Ministra os cursos OFF BOX - Vida Criativa, Transtexto - Criatividade, Liberdade e Expressão Poética e O Trabalho de Rememorar

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RESENHA| A METAMORFOSE - FRANZ KAFKA - BIS (LEYA)

12 dezembro 2016 Comentar
Quando passamos de humanos a meros insetos?

O livro é, sem dúvida, um paradoxo em si mesmo. Antes de iniciar a leitura imaginava que o título estava simples e puramente intrínseco à história, mas, ao finalizá-la você descobre que A Metamorfose da qual o autor chama sua obra nada tem a ver com o estado do personagem principal da trama, Gregor Sansa, que acorda metamorfoseado em um inseto. Ela vai muito além disto, trata da mudança que esse fato causa na família e na dinâmica do lar. Mesmo que Gregor tenha, por um bom tempo, deixado de lado seus desejos e sonhos pessoais para suprir os de sua família, ao encontra-ser transformado em um inseto, e mesmo não esperando que seus familiares entendam sua nova situação, se vê amplamente rejeitado por aqueles que poderiam ser seu melhor amparo neste momento. 

Todo desenrolar do enredo me leva a pensar na questão explicita que Kafka quis passar em sua obra: a partir de que momento um ser humano deixar de possuir um status de indivíduo social e passa a ser considerado um inseto por seus semelhantes? Essa é uma questão difícil, mas que o autor soube explanar de maneira majestosa. Tomemos por exemplo moradores de rua com o qual nos deparamos todos os dias, mas que fingimos não ver ou simplesmente tratamos como insetos. Em que momento de suas vidas perderam seu valor e status de ser social? Será que já nasceram assim ou tiveram a infeliz sorte de nosso personagem e foram rebaixados a tal? Nunca saberemos. Porque não residem no imaginário nem na ficção. São mazelas reais que muitos não estão dispostos a ler. 

Uma passagem que me chamou muita atenção durante a leitura, diz respeito a empregada que é contratada para cuidar dos serviços da casa e que, em dado momento, é encarregada da limpeza do quarto de Gregor. - A essa altura sua irmã que mostrava compaixão e preocupação com a situação do irmão, não vê mais sentido ou recompensa em realizar tal tarefa. Ao avistar a criatura não se amedronta passando até a mostrar uma afeição por ele. E isso diz muito da mensagem do autor. A empregada não se vê amedrontada ou tenta fugir porque para ela essa situação é comum. Ela é colocada na mesma escala a qual o protagonista se encontra perante a sociedade.

E difícil iniciar a leitura desse livro e não se pego jugando, a todo momento, os familiares de Gregor por suas atitudes egoístas e mesquinhas. Mas, ao mesmo tempo e impossível não se colocar no lugar deles e perguntar "será que agiria diferente se fosse eu no lugar deles?". O importante é a maestria com que Kafka nos coloca para pensar, faz uma crítica severa e explicita quanto qual é o exato momento em que o ser humano perde seu valor dentro de uma sociedade e passa a existir como um animal ou, simplesmente, um inseto? Em que situação nossos semelhantes deixam de se ver em nós? 

A Metamorfose é daqueles livros rápidos, cheios de críticas sociais, interessantes do início ao fim e que não te deixa sair da leitura sem fazer você pensar em um milhão de coisas. E, dessa forma, agregar conhecimento e vivência como indivíduo. É, sem dúvida, uma obra que todos deveriam ler e se apaixonar. 












Se já leu o livro me diz o que achou. Se gostou da resenha deixa seu comentário. Vamos debater sobre qual foi sua percepção de A Metamorfose. 
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RESENHA| WILL E WILL - JOHN G. E DAVID L. - GALERA RECORD

08 dezembro 2016 Comentar
Um livro que tem seus pontos positivos, mas que, no final, é só mais um livro. 

Comecei a leitura com uma expectativa muito grande e, confesso, me decepcionei. Ela foi arrastada até o capítulo nove. A partir daí, a história ganha um fôlego e ritmo melhor. Por se tratar de um livro que tem como mote principal o tema homossexualidade e adolescência, esperava que prendesse desde o início. O que, definitivamente, Will e Will não fez. 

Apesar de tudo, a obra possui seus pontos positivos. A linguagem coloquial e a troca de cenários e modos de falar e pensar dos personagens Will hétero e Will gay é muito interessante. Por ser escrito pelos autores John Green e David Levithan, intercalando os capítulos, o livro toma um aspecto original e único. Por várias vezes me senti lendo duas histórias diferentes, mas que se complementam e integram-se em um único enredo. 

Pela linguagem coloquial e de fácil leitura, o livro perde pontos quando o quesito é prender o leitor. Li em dois dias, mas, como disse anteriormente, até o capítulo nove persisti bastante para não largar o livro. Os autores tentaram apresentar um universo mais verossímil possível com o dia a dia de adolescentes em período escolar e possíveis situações na vida dos que são gay. Em alguns momentos conseguem de maneira brilhante, mas na maioria tudo foge muito do real e verdadeiro. Mas temos de dar os créditos por ser uma ficção.

A partir do capítulo doze os autores conseguem prender totalmente a atenção com a história e a linguagem empregada no texto. Fazenda valer a pena a persistência na leitura. E dando um bom material para uma resenha. 


RESUMINDO

Mesmo apresentando pontos positivos que fazem valer a pena o tempo investido, não seria minha primeira indicação para quem está começando a ler esse gênero ou assunto em específico. 

Will e Will é aquele velho bolo de vó: a receita já é conhecida por estar a muito tempo na família, é bem ornamentado, tem um cheiro ótimo, cumpri sua função de saciar a fome, vale a pena esperar para comer, mas, no final é apenas um bolo. Essa foi a sensação ao terminar a leitura. 

Se você já leu alguma coisa de um dos autores e conhece a forma de escrever, vale a pena a leitura. Se ainda não, mas, mesmo assim, quer se aventurar na leitura, não vá com muita expectativa. Quem sabe não se surpreenda.

Deixe seu comentário me dizendo se já leu o livro e o que achou. Caso ainda não tenha lido me diga se ficou instigado em lê-lo e por quê? 

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DE FRENTE COM A AUTORA - CLAUDIA GOMES

11 agosto 2016 Comentar
Imagem: Arquivo pessoal de Clério José Borges.

Olá, leitores. Tudo bem com vocês? Hoje o Escrivaninha inaugura uma nova coluna no blog, que será publicada a cada quinze dias e se chama: De frente com o autor(a). O intuito é trazer entrevistas com nossos escritores nacionais resenhados. E a escolhida para a primeira publicação foi a escritora, poetisa, produtora cultural, roteirista e atriz, Claudia Gomes. que recentemente lançou seu livro Hecatombe Hipotética, uma coletânea de poesias escritas e ambientadas ao longo de suas vivências pessoais. O livro tem resenha no blog e se ainda não leu é só clicar aqui

Claudia é daquelas autoras que quanto mais você pergunta, ouve, ou lê, mais conteúdo encontra. "Uma mulher branquela, riscada de gato, estatura mediana" de trinta anos e pouco notada.Como ela mesma se descreve, mas uma imensidão de criatividade e escrita. Uma artista completa em construção "Escrever obriga novas visões: olhar o mundo de formas e ângulos diferentes. Por causa disso, evoluí  e criei muitas pernas, que é pra colocar uma no cinema, outra na fotografia, outra nas artes cênicas, uma em cada canto da coisa artística toda."

A poetisa já publicou em várias coletâneas e revistas, além de participar de projetos voltados para a poesia tais como: “Paixão de Ler POESIA” pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro (como produtora cultural e contadora de histórias), “O SESC também se apaixona pela POESIA” (com o “Sarau Animado” - esquete com poesias infantis - e a oficina “Poesia Visual” para crianças e professoras formandas. Ela ainda participou do ABZ do Ziraldo da TV Brasil, além de ter feito parte de movimentos como o “OPA! Ocupações Poéticas” em instituições para menores em conflito com a Lei e orfanatos do Espírito Santo. Claudia é Sócia da Dois Sofás Produções. 

Claudia, qual a sua lembrança mais remota do primeiro contato com a poesia? E em que momento nasce a poetisa?


Desde o momento em que aprendi a ler e descobri que nos livros existiam histórias incríveis. O despertar pra poesia demorou um pouco mais. De início me apresentavam alguns poetas que na época não compreendia, então considerava maçante. As rimas eram até divertidas, mas quando eu tentava fazê-las, não tinha paciência, não eram o que eu queria fazer. 

Comecei escrevendo histórias que não acabavam. Eu estava na metade e, ansiosa, já queria fazer outras.  Muita coisa pra falar. A poesia tem essa capacidade de resumir, de dizer muito em pouco, de dizer sem dizer, de transformar. Um dia "Aos poucos fico louco" do Ulisses Tavares chegou na biblioteca da escola. Depois de muitas risadas descobri que queria ter aquele humor, queria falar sobre o mundo daquele jeito. Mas muita gente me influenciou naquela época como Sérgio Caparelli, Renato Pacheco, Cecilia Meireles, Manoel de Barros... continuam até hoje. 

Quem é seu eu individuo, e a poeta? E em que momento (os) eles se unem para formar a Claudia?

Não existe uma separação.  Eu sou Claudia, a poetisa. Eu escrevo o que eu penso, sinto, vivo, minha visão das coisas. Sou eu quem escrevo. No momento que eu escrevo, eu me coloco no papel. Por isso, é claro que, se eu for escrever sobre uma coisa hoje e sobre essa mesma coisa daqui a dez anos, sairão coisas completamente diferentes e talvez até opostas, visto que a gente muda com o passar do tempo. Poesia é uma coisa extremamente pessoal, íntima, porquê, se você não se coloca na poesia, ela não tem profundidade suficiente para atingir o outro.

Quem são suas principais fontes de inspiração no campo da poesia? E, por quê?


Como disse, tenho influências que me seguem. Gosto de ler de tudo, digo, tenho fases que amo algumas leituras e odeio outras, mas num geral sou eclética rs. Mas acredito que minha inspiração vem do meu cotidiano e das minhas vivências. 

Se fosse pra citar alguém, seriam meus amigos poetas marginais, contemporâneos, periféricos. Tem, por resumido exemplo, a Caró Lago, a Leticia Brito, o Marcos Bassini, o Eduardo Tornaghi, Thamar de Araujo, toda essa gente incrivel que me inspira e estão todos bem acessíveis na internet, na noite carioca se descobrindo e redescobrindo cada dia mais - como eu.

Sabemos que na antiguidade os homens dominavam, quase que unanimemente, o campo da criação literária. Hoje esse cenário é completamente diferente. Como você avalia a importância do papel da mulher, na criação, mas também como produto literário?


Foi muita luta feminista para chegarmos até aqui e a luta ainda está sendo grande. Porque está tudo interligado. Tenho amigas e conhecidas que sofrem preconceito com o que escrevem,  retaliações familiares, assédio moral e sexual, como se o fato de eu escrever sobre sexo, significasse estar aberta a sexo com qualquer pessoa. 

Para escrever Hecatombe Hipotética, você levou quanto tempo? Criou uma rotina de escrita ou as poesias surgiam espontaneamente? 


Esse livro demorou um bocado, rs.  Eu o escrevi em 2006 com um objetivo: homenagear colegas da área artística no ES. Então ele era dividido em dois capítulos: um sobre mim e outro de poesias dedicadas a artistas locais. Porém, a minha vida vive dando viradas. É um roteiro muito bom hahahah. Eu vim pro Rio e aqui eu não conhecia nenhuma gráfica ou profissional do livro. O que fez com que eu aceitasse uma indicação e entrasse numa furada: me roubaram o dinheiro captado para o livro. Tive que tirar do meu próprio bolso para refazer. Essa saga, bem resumida aqui, me fez pensar que eu gostaria de que esse livro fosse um rito de passagem. Esse livro encerraria uma etapa, abriria espaço para outra. Quando o fui refazer, percebi que o conteúdo do livro já não me representava. E aqueles artistas eu já não tinha sequer mais contato. Aquela que eu queria deixar para trás, aquele divisor de águas que eu pensava que o livro fosse, já não era mais. Resolvi refazê-lo. Alguns textos permanecem, como o que dá nome ao livro, mas refiz o conceito. O livro agora seria uma representação de mim. A capa e o interior. 

Por que o nome de Hecatombe Hipotética? 

Tem um texto interno com esse nome que me representa muito bem. Me desapeguei de livros a pouco tempo, ainda dói. Eu me mudei, dia desses, para uma casa menor. Doei muitos livros para amigos, montei uma biblioteca numa comunidade. Foram doados em torno de 20 caixas. Muitos eu ainda não havia lido. É doloroso não ter tempo para ler. Quando eu era pequena eu começava a ler pela manhã e ia até a noite.  Hoje tem trabalho, prazos, responsabilidades que diminui muito o ritmo da leitura. Uma pena. E eu adquiri essa mania de guardar livros que eu desejo ler assim que tiver tempo. Mas a verdade é que eu acabo lendo os livros que preciso, não os que gostaria. O que preciso pra pesquisa do roteiro, do projeto. Os que eu desejo ler, acabam de enfeite, aguardando uma hecatombe. :(

Seu livro trata de muitos temas de maneira inteligente e com um toque pessoal bem presente. Alguma das poesias de Hecatombe Hipotética é dedicada para alguém em especial? 

Minhas poesias são pessoais. Toda poesia é pessoal. É sua visão a respeito de algo, é seu sentimento a respeito de algo. E eu gosto muito de falar sobre o que eu sinto, minhas impressões com o mundo. Tento partir do particular pro universal. Então, não. Posso ter escrito a partir de um acontecimento relacionado a alguém, mas a verdade é que, no fundo, eu só dedico aos leitores. ;)

Deixaria de escrever ou publicar algo por medo das críticas? E como você lida com elas? 

Se você se publica, sobre no palco, vai pra frente de uma câmera: você está dando a cara a tapa. É bom se acostumar com isso, é natural que venham criticas de todas as formas. Minhas favoritas são, claro as criticas construtivas que são sempre bem vindas. Por mais que não venha de encontro com os meus pensamentos ou as vezes me sinta mal interpretada, a verdade é que faz pensar. E pensar é sempre bom. 

Por que publicar de maneira independente e não por uma editora? 

Os dois tem vantagens e desvantagens. A editora demora a aprovar. O cara está investindo o dinheiro dele, o produto tem que ser estudado, pensado, avaliado. E a poesia raramente entra nisso aí. Poesia é algo para se pensar. A gente vive num país que pouca gente lê poesia,  pelo simples motivo de que não sabe entender poesia. Minha teoria é que a gente não sabe vender poesia. Afinal livros como "Eu me chamo Antônio" e "Pó de Lua" são de frases poéticas e vendem feito água. É preciso marketing, é preciso vencer esse preconceito sobre a poesia, é preciso repensar a poesia - e a forma como vemos o leitor.

Outro problema, além da dificuldade de publicar poesia é que você ganha em torno de dez porcento do valor de venda. As tiragens estão cada vez menores. Tem vez que os autores não recebem nada pelo seu trabalho. Conheço amigos publicados por editoras que não tem suas próprias publicações. 

Já a publicação independente eu  tenho o controle da edição (eu sou minha editora, então o livro vai sair do jeito que eu quero) e eu tenho o controle do estoque. Mas aí eu esbarro num problema: distribuição. Eu não tenho como distribuir esse material, ter mil livros na sala é MUITO chato. O negócio é se reinventar a cada publicação, mil lançamentos, fazer amigos livreiros, deixar em lugares diferentes, vender via internet. Entra aí nossa brasileirice. E se quiser, posso distribuir gratuitamente numa ONG, num projeto social, pros amigos. O livro é meu. 

Dia desses tomo coragem e publico por uma editora pra ver que bicho que dá. (Toca caçar editora. Rs)

Como vê e avalia o mercado editorial brasileiro? 

Tem pra onde crescer. O que a gente precisa é ter a consciência de que é preciso formar leitores. A gente que eu falo é a gente que trabalha com educação, profissionais do livro, blogs e sites de literatura, todos nós que estamos envolvidos direta ou indiretamente com isso. 

Fazer pequenas ações no dia-a-dia para incentivar a leitura é um caminho. Eu, por exemplo, tenho mania de sair com envelopes com poemas dentro. saio distribuindo. Não é sempre: a vida é corrida. Mas se vou num lugar que cabe, eu levo, distribuo. As pessoas ficam curiosas com o envelope, abrem para ler. Se aquele texto falam a linguagem dela, ela vai gostar, ela vai procurar outros para ler. 

Em sua opinião, por que o brasileiro lê tão pouco ? Comparado a outros países da América Latina.

Estou em um momento que, apesar de ser necessário falar sobre o Brasil, não tenho conseguido. Tem esse nó na garganta aqui que não deixa. Mas falta educação de qualidade. Falta falar a linguagem do Brasil. Falta passar mais mensagem do quê falar bonito. 

A gente tem que ter consciência de que as coisas tem que ser pouco a pouco. Para fazer alguém gostar de ler, você precisa apresentar algo que comunique com ela, que fale a linguagem dela, que promova uma identificação. Gostar é o primeiro caminho. Aos poucos, você vai percebendo o que mais gosta de ler, partindo para linguagens diferentes, experimentando leituras. 

O nosso problema maior é com educação. Recomendo o filme "A educação está proibida", você pode encontrá-lo na Netflix.

Atualmente está trabalhando em algum projeto literário? 

Bem, escrevendo eu sempre estou. Poesia é um exercício diário, mas tenho trabalhado em um romance. Fantasia urbana. Vamos ver como me saio. ;P

Qual é o maior sonho da Claudia poeta? 

Que todos lessem poesia. Deve ter algum autor que seja a sua cara, sempre tem. Tem até pesquisa que diz que poesia faz bem ao cérebro, é terapêutico, sendo melhor que livro de auto-ajuda!

Que recado ou dica a Claudia individuo deixaria? E a poetisa?

Bem, somos a mesma. :) Então lá vai:

Descubra o que você gosta de ler. Leia, pense, crie suas próprias histórias, rabisque, escreva. Descubra o seu jeito de escrever, mostre aos amigos, faça um blog. Incentive a leitura, faça as pessoas ao seu redor descobrirem o que elas gostam de ler. Esse mundo precisa de pessoas que leem e que pensam. Faça a sua parte.

E qualquer coisa me grita aqui: claudiacanteri@gmail.com

Beijos!
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